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Porque Campo Grande não merece um aumento na tarifa

Nesses últimos dias, o Consórcio Guaicurus tem pressionado a prefeitura e os órgãos responsáveis por um aumento de tarifa, previsto em contrato. A prefeitura até então, estuda o congelamento da tarifa, conforme divulgado, mas o consórcio quer um reajuste de 13,2%, onde a tarifa passaria dos atuais R$3,25 e chegaria a R$3,68. Entretanto, será que o nosso transporte merece realmente ter um ajuste? Confira abaixo alguns pontos levantados pela nossa equipe sobre o assunto.

  • Qualidade
Há muito tempo tem se observado a queda da qualidade no transporte de Campo Grande. Ônibus com bancos estofados, com suspensão a ar foram sendo retirados de circulação aos poucos, sem que ninguém percebesse, para serem trocados pela nossa atual frota, composta por tudo que há de mais barato fabricado no mercado. Hoje, os veículos vem equipados com o menor número de assentos possíveis, sendo esses de plástico duro, sem qualquer tipo de estofamento.

Veículo ano 2008, ainda em circulação. Poucos bancos, sem conforto algum.

Em alguns veículos remanejados de outra cidades, que vieram com estofamento nos bancos, ainda é possível encontrar esses resquícios de conforto mínimo que os passageiros merecem.

Veículo usado de Uberaba (MG)
  • Manutenção
A manutenção da nossa frota também é um problema sério. Desde que o consórcio assumiu a cidade em 2012, a manutenção da frota tem ficado cada vez mais relaxada. Meses atrás, presenciamos um veículo soltando os eixos no meio de uma movimentada avenida no Jd Los Angeles. Na mesma semana, também foi noticiado um veículo com pane elétrica no meio do centro da cidade. Por que cobrar tão caro por um transporte que vive quebrando na rua?

Veículo que perdeu o eixo durante operação.
  • Idade da Frota
Atualmente a idade média da frota é de 6 anos, mostrando que nossa frota já está bastante velha. Até pouco tempo atrás, tínhamos veículos 2005 ainda em circulação, que extrapola o limite máximo de 10 anos. Graças ao trabalho da nossa equipe e diversas denúncias, as empresas aposentaram esses veículos, sem colocar nenhum em troca. Neste ano, devem aposentar cerca de 40 veículos, mas, pelo visto, o consórcio vai boicotar a renovação desse ano caso não ganhem o reajuste.

Veículo ano 2005, que aposentou neste ano.

  • Cortes de Tabelas
Também noticiamos bastante no site o corte de tabelas de várias linhas, como a 085, que além de perder seus veículos articulados, perdeu várias tabelas, a linha 070, que foi desmembrada em duas novas linhas (077 e 078), mas que também perdeu uma tabela, dentre outras várias linhas. Em contrapartida, era esperado criação de novas linhas, ligando pontos da cidade que ainda não contam com uma boa ligação, ou melhoria de linhas já existentes, mas isso não aconteceu. Esses veículos que foram tirados de circulação ficam parados na garagem.

  • Operação
Gerando divesas reclamações diárias, a operação do consórcio na cidade é precária. Linhas que deixaram de rodar com articulados, como aconteceu com a linha 081, 070 e 085, e as linhas que rodam parcialmente com articulados, como a 080, que perdeu boa parte dos seus articulados pra 083, que só roda nos picos. 

Outro problema operacional são os veículos curtos em linhas de alta demanda, como algumas alimentadoras e na maioria das troncais. Além desses veículos serem mais fracos, foram feitos para rodar em linhas de pequena e média demanda. Entretanto, o consórcio os escala em linhas de alto fluxo diariamente, desgastando esses veículos muito mais rápido do que deveria.

Veículo curto em linha troncal.

E você, caro leitor, acha que deve pagar mais caro no passe de ônibus?

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