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Ar condicionado e Consórcio Guaicurus: duas coisas que não combinam

Ônibus com ar-condicionado, um pedido antigo da população campo-grandense que sofre diariamente com o calor extremo dentro do transporte coletivo no dia-a-dia. Em 2017, a prefeitura entregou míseros três veículos com ar e três veículos climatizados, sendo um deles para cada empresa da cidade (exceto a viação São Francisco).

Veículo com ar na entrega da nova frota. Foto: Vinícius Ortiz.


Quando chegaram, foram escalados para circular na linha 070 (Bandeirantes/Gen. Osório), a fim de atrair demanda para a linha, linha essa que já sofre de superlotação devido aos inúmeros cortes realizados pela Agetran (você confere sobre esses cortes clicando aqui e aqui.) Passados apenas quatro meses, as empresas começaram a aprontar com a vida do usuário, colocando esses veículos tão esperados pela população para circularem somente no horário de pico. Nossa equipe já denunciou esse problema uma vez, já que no primeiro mês de operação desses veículos, as empresas fizeram as mesmas coisas: colocaram os veículos com ar para circular somente no pico (confira aqui).

O veículo da viação Cidade Morena, de prefixo 1308, era fixo da linha 070, iniciando operação por volta das 5h da manhã e recolhendo 23:40, circulando o dia todo. Hoje, a empresa coloca o veículo para circular em linhas expressas, que operam duas ou três voltas apenas no pico da manhã, e a tarde, o veículo vai para a linha 070, circulando por duas voltas na tabela de reforço, e recolhendo para a garagem logo em seguida.

Já o da viação Campo Grande, de prefixo 4237, operava o dia todo, recolhendo por volta das 19 horas. Atualmente, quando não faz o reforço da manhã da linha 085 (Morenão/Júlio de Castilho), circula por duas voltas na linha 070 e é substituído por um veículo sem ar, ficando o dia todo na reserva do terminal General Osório.

Veículo com ar-condicionado na reserva do terminal General Osório. Foto: Victor Costa

O problema infelizmente não se restringe aos usuários convencionais. As linhas executivas também tem sofrido na mão desse consórcio. A substituição de veículo executivo por convencional em linha executiva é constante. Só para se ter uma ideia, a linha 190 (Aero Rancho/Pça Ary Coelho), que circula com dois veículos executivos, estava operando com dois veículos convencionais. Os veículos executivos da linha, que eram pra estar circulando, estavam encostados tomando sol na reserva do terminal morenão.


O problema real é que, no aumento de tarifa, as despesas serão colocadas na planilha de gastos, e esses veículos, circulando ou não, estarão lá. Os veículos com ar-condicionado gastam mais combustível que os demais, já que fazem uma média de 3km/l, enquanto os sem ar-condicionado fazem 3,5km/l, chegando a 4km/l nos veículos curtos. Ou seja, a população irá pagar por um serviço que não está sendo prestado devidamente.

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