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Mais da metade da frota de ônibus de Campo Grande está acima do limite de idade

Desde 2019 não há uma renovação significativa na frota do transporte coletivo da capital. Nela, vieram 55 novos veículos, o que na época já era insuficiente para manter a frota com a idade média exigida em contrato, de 5 anos, e com a idade máxima, de 10 anos de uso do veículo, sendo respeitada. Hoje, a situação é ainda pior.

Veículos ano 2010 e 2011 na garagem de uma das empresas do consórcio. Foto: Vinícius Ortiz


De acordo com levantamento feito com base no ano de fabricação dos veículos, Campo Grande hoje possui 231 veículos vencidos. Isso é 51,33% da frota total de veículos em circulação na capital, que atualmente é de 450. Mais da metade dos veículos da cidade não deveriam estar em circulação, e isso reflete diariamente na vida do passageiro, com veículos ficando pelo caminho com mais frequência, ou com os atrasos constantes, já que os veículos mais antigos sempre são vistos andando mais devagar, com a sensação de que parece faltar força para que o veículo tenha o desempenho desejado.

Veículo ano 2009 ainda em circulação. Foto: Pedro Verão

Dos veículos fabricados no ano de 2009, ainda circulam 7 pela capital. Dos fabricados em 2010, 70 ainda estão em operação, sendo a sua maioria pertencentes a Viação São Francisco, que possui mais de 20 veículos desses.

Veículo ano 2010.

Veículo ano 2011. A falta de manutenção da empresa a fez improvisar um suporte para a placa de informações lateral, já que o letreiro auxiliar não funciona. Foto: Pedro Verão

Os veículos fabricados em 2011 trouxeram a novidade do letreiro auxiliar, em substituição a placa de informações da linha. Hoje, são poucos os que realmente funcionam, e ainda circulam 62 deles pela cidade.

Veículo ano 2012.

Os veículos fabricados em 2012, chegaram na capital consolidando o início do contrato do Consórcio Guaicurus por 20 anos, que podem ser prorrogados por mais 10. Desses, temos 19 em circulação, tirando da conta os veículos articulados, que tem um prazo maior de circulação, de até 15 anos.

Veículo ano 2013, com o letreiro lateral suspenso na janela superior.

Já os veículos fabricados em 2013 trouxeram o letreiro lateral suspenso na janela superior, mantendo como padrão de compra do consórcio até hoje. Na época, alegaram ser mais fácil para manutenção, já que era só retirar do suporte para fazer o reparo. Eles chegaram para substituir a frota da extinta Auto Viação Floresta, que entrou no lugar da Viação Serrana de forma informal, onde foi denunciada em audiência pública, e, tempos depois, deixou de circular pela cidade. Destes, temos 73 em circulação, que, como chegaram em novembro de 2013 na cidade, podemos considerar "válidos" até novembro.

Manutenção

A manutenção do consórcio sempre deixou a desejar, mas nos últimos anos, os problemas pioraram. Relatos constantes de veículos ficando pelo meio do caminho, e até de veículos pegando fogo tem sido mais frequentes pela cidade. Mês passado, um veículo da viação São Francisco, que fazia a linha 072 (Terminal Nova Bahia/Morenão) pegou fogo na Antônio Maria Coelho. O veículo estava com 50 passageiros, e devido a ação rápida do motorista do ônibus e de veículos que passavam pelo local no momento, o fogo foi contido.

Veículo que, por pouco, não fica destruído por incêndio. Foto: Campo Grande News

Devido a maioria da frota ser velha, os veículos precisam de mais manutenção, e a empresa, que visa a economia e o lucro acima de tudo, a manutenção acaba deixando a desejar.

Renovação

É esperado ainda este ano ao menos 70 veículos novos, que nós já noticiamos aqui no começo do ano. Foram encontradas notas fiscais em nome das quatro empresas do consórcio datadas de novembro de 2022, e outras de janeiro de 2023, direcionadas a fabricante Marcopolo, em São Mateus (ES). Pela data da compra, esses veículos já devem estar em processo final de fabricação, e, se tudo der certo e nenhum veículo for remanejado para outras empresas do grupo, como aconteceu em 2020, logo devem ganhar as ruas da cidade.

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