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Artigo: Manifesto contra os letreiros laterais

Ônibus de modelo mais recente em Campo Grande, com letreiro eletrônico próximo da porta ao invés de uma placa com itinerário da linha.
(Autor: Eric Moises Martins).

Todos que andam de ônibus em Campo Grande já se depararam com aquela plaquinha que fica próxima a porta de entrada dos ônibus, com o nome das ruas que fazem parte do itinerário da linha. Já repararam também que desde 2011 passaram a chegar ônibus que no lugar da plaquinha lateral, tem um letreiro eletrônico indicando o nome da linha. Minha pergunta é: qual a vantagem de se ter um letreiro eletrônico lateral indicando a mesma coisa que o letreiro frontal, o nome da linha?

O movimento de uma linha de ônibus envolve diversos fatores, e esta deve atrair usuários, mostrar por onde passa, ajudar as pessoas a escolherem as melhores opções para se chegar a um determinado lugar, e convenhamos que só mostrar que está indo para o "Terminal Gal. Osório" não ajuda muito. Vai por onde? Antônio Maria Coelho, Ceará ou Mascarenhas de Moraes? E se precisar fugir da rotina e me deslocar para um lugar que não estou acostumado, qual a melhor opção? São pequenas coisas que uma simples placa pode fazer diferença.

Placa lateral do ônibus com itinerário da linha, bastante útil e informativa (Autor: Vinícius Ortiz)

Em 2006, com 17 anos, todos eles vividos em Campo Grande, me mudei para maior cidade da América Latina, São Paulo, e deveria me deslocar todos os dias de ônibus de casa para faculdade. No início, em tempos que o Google Maps não existia e o Google Earth ainda engatinhava sem mostrar as cidades em detalhe, não tinha muita opção a não ser fazer o caminho ensinado pelo meu pai e utilizar os ônibus por ele indicado. Com passar do tempo comecei a invejar uma linha que passava no ponto em que esperava ônibus, uma linha que sempre passava vazia, em quanto ia ao aperto da linha de sempre. Passado alguns meses, já havia decorado o caminho da linha de sempre, bem como o nome das ruas que ela passava, eis que reparo que aquela linha que sempre passava vazia, com letreiro de Jd. Marisa (um bairro da periferia de SP, extremamente distante) tinha uma plaquinha indicando "Av. Brig. Faria Lima", uma das vias transversais à linha de sempre e que me servia como ótima opção para fazer a baldeação (troca de ônibus). Ou seja, graças a uma plaquinha com nome de via, minhas viagens diárias se tornaram bem mais confortáveis.

Ônibus do transporte municipal de São Paulo - SP, com suas diversas placas informativas. 
(Autor: Eric Moises Martins)


A título de comparação veja como funciona as placas de um ônibus em SP: na frente há o famoso letreiro frontal, com o código da linha e o nome dela, tal como Campo Grande. No para-brisa do lado esquerdo, uma placa com nome de 3 das principais vias pela qual a linha passa (Foto 3, A) e em alguns casos, mais acima, uma placa com o nome de 2 pontos de grandes movimento, como nome de uma faculdade ou shopping que a linha passa (Foto 3, B). Na lateral a plaquinha com nome de mais algumas ruas do itinerário da linha, parecido com o modelo que ainda usamos em CG (Foto 3, C). Atrás do ônibus, uma plaquinha com o código da linha. No interior do ônibus, acima do banco do cobrador, outra placa, desta vez com o itinerário completo. Um modelo que não acarreta em grandes gastos as empresas e ajuda a vida de muitos passageiros, principalmente aqueles esporádicos, turistas e novos moradores da nossa cidade morena. 
 

 

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