Pular para o conteúdo principal

Porque não ter esperanças na gestão do Olarte?

No dia 26 de fevereiro Campo Grande passou por um golpe político, 23 vereadores arquitetaram uma artimanha que levou a cassação do prefeito eleito de Campo Grande, Alcides Bernal. No lugar de Alcides Bernal, entrou Gilmar Olarte, o vice-prefeito que já estava no esquema a muito tempo. 

Os críticos de Bernal podem até alegar que este era incompetente e seu jeito centralizador engessava a cidade, argumentos que concordo em partes. Sua gestão não trazia grandes perspectivas de melhoras no sistema de transporte coletivo da cidade, porém em pouco mais de 1 mês a frente da prefeitura, Olarte conseguiu mostrar que não só não irá melhorar, como irá piorar o sistema de Campo Grande. 


Vejamos alguns fatos, a começar com o atual presidente da Agetran, Jean Saliba, um dos pivôs dos maiores gestos de trairagem na cidade. Nomeado em troca de apoio do vereador Edson Shimabukuro, exigia a nomeação de 60 pessoas para cargos comissionados. A nomeação não veio e na hora que mais precisou Shimabukuro passou uma rasteira em Bernal. Engraçado fazer a exigência de tantos nomes para cargos comissionados e mesmo tendo conseguindo seu objetivo na gestão Olarte, ser incapaz de resolver o problema de falta de fiscalização nos terminais. Hoje os terminais sofrem de grave falta de fiscais da Agetran e o Consórcio Guaicurus vem se aproveitando da situação para não cumprir tabelas, principalmente dos ônibus de reforços, causando maiores lotações e espera nos pontos. Cadê os funcionários comissionados nesta horas?


Presidente da Agetran, Jean Saliba, esperando ônibus. Andar de ônibus tem se tornado mais difícil em sua gestão. (foto: Saul Schramm Jr)

Fato que mesmo na gestão Bernal, desde que Saliba assumiu a Agetran, a qualidade dos serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus vem decaindo e vivemos um dos períodos mais negros da história de nosso transporte.As conquistas que cheguei a citar em uma coluna anterior foram sendo deixada de lado.

Como se as coisas não estivessem suficientemente ruins, Olarte nomeia Rudel Trindade para Agereg. Rudel foi presidente da Agetran no final da gestão Nelson Trad, o pior prefeito de Campo Grande na área de transporte coletivo. Na gestão Rudel, Campo Grande viveu sua pior fase em termos de serviços prestados, nos anos de 2011/2012. Foi também em sua gestão que foi feita a licitação vencida pelo Consórcio Guaicurus, licitação de péssima qualidade e de cartas marcadas. Em quanto diversas cidades do Brasil passam por licitações sendo divididas em lotes para evitar monopólio, fazendo exigências de veículos de melhor qualidade e na maioria das vezes com contrato de 15 anos, em Campo Grande tivemos uma licitação que favoreceu o monopólio, sem nenhuma grande exigência (e as pequenas exigências sendo descumpridas na cara dura...) e com prazo de 20 anos prorrogáveis por mais 10, ou seja, nos tornando refém destes péssimos serviços por 30 anos. Na Agereg, agência de regulação, o Consórcio estará livre para continuar descumprindo as exigências do contrato que firmou com a anuência de seu padrinho. 
 
 
Rudel Trindade, padrinho da licitação vencida pelo Consórcio Guaicurus, de volta agora na Agereg. (Foto: A Tribuna News)

Olarte vem nomeando uma equipe com a cara da gestão Nelsinho, gestão que 8 anos foi incapaz de construir um terminal de ônibus (o melhor que conseguiu foi um grande ponto em frente ao Hércules Maymone), que deixou a qualidade da frota ir decaindo ano a ano, até sumir de vez com os confortáveis ônibus de motorização traseira, que permitiu o consórcio ir abolindo o sistema de cores, que permitiu que ônibus leves fossem escalados em linha de grande demanda , que permitiu ônibus de idade vencida continuarem a circular pela cidade, que foi incapaz de planejar um readequamento do sistema devido as mudanças que cidade passou nos últimos 10 anos e que permitiu a tarifa crescer ano a ano, sempre mantendo a ponta entre as tarifas mais caras do Brasil até Bernal colocar um freio nisto. Toda esta equipe do Nelsinho está de volta na gestão Olarte, que agora terá dinheiro federal do PAC mobilidade para pintar faixas azuis e chamar de corredor de ônibus. 
 

Ônibus entrando no "terminal"de integração Hercules Maymone. O grande ponto de ônibus que foi o a melhor coisa que Nelsinho conseguiu fazer em 8 anos. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fim da viação São Francisco e unificação das empresas do consórcio

Desde o primeiro dia útil do ano, algo vem acontecendo nos bastidores do transporte coletivo da cidade. A viação São Francisco, uma das (se não a) primeiras a trazer o transporte coletivo de passageiros para Campo Grande lá nos ainda anos 1940/1950, fechou de vez as suas portas, dando fim a toda sua história. O prédio estava com um anúncio de venda do terreno há um bom tempo, e, bem, parece que ele foi finalmente vendido. Fachada do pátio da garagem da Viação São Francisco, em Abril de 2023. Foto: Google Maps.

Sistema de cores do transporte de Campo Grande: pode enterrar.

Os mais saudosistas se lembram com carinho quando em 1992 foi inaugurado o SIT em Campo Grande, sistema integrado de transportes, com a construção dos terminais Bandeirantes e General Osório. Este sistema, baseado no de Curitiba, trouxe uma nova divisão de linhas e alterou a pintura dos ônibus, antes cada empresa tinha sua pintura, após a implementação deste sistema, a pintura foi padronizada com 4 cores, eram elas: Amarelo: Linhas convencionais, que fazem trajeto centro-bairro.  Vermelho: Linhas troncais, que fazem trajeto terminal-terminal passando pelo centro ou terminal-centro.  Verde: Linhas interbairros, que fazem trajeto terminal-terminal mas sem passar pelo centro.  Azuis: Linhas alimentadoras, fazem trajeto bairro-terminal.

Nos bastidores, consórcio planeja novo aumento de tarifa e demissão de funcionários

Em um post feito em uma página do Facebook, do dia 26/05, uma pessoa, que não quis se identificar, informou que nos bastidores, o consórcio está preparando mais uma jogada para conseguir mais dinheiro - seja ele do usuário do transporte coletivo, seja ele do poder público. Registro de uma das últimas compras de novos veículos. Foto: Arquivo